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21 Aug 2017
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A minha experiência offline: 21 dias sem internet

21 dias sem internet em casa – uma experiência sobre a vida offline

Mudei recentemente de casa. E com a mudança sabia à partida que poderia ficar alguns dias “desligada”. Para evitar que estes alguns dias se tornassem em várias semanas tratei de entrar em contacto com o fornecedor com alguma antecedência.Recebi a confirmação que a partir do dia 3 de junho estaria tudo operacional. Ora sabendo que me mudaria no dia 30 de maio, pensei “nada mau. 5dias sem internet…  não é assim tanto tempo“.

Talvez seja uma boa oportunidade para fazer a minha própria experiência offline“, pensei. Tinha recentemente assistido a uma palestra sobre o tema  – The Offline Experiment por Cristoph Koch -, e achei que era o timing perfeito para me pôr à prova.

Como seria estar sem internet? A verdade é que não me lembrava… e por isso encarei estes 5 dias com alguma curiosidade e entusiasmo à mistura.

Mas (spoiler alert!) este entusiasmo rapidamente se evaporou.

Os iniciais 5 dias acabaram por se tornar em 21 (devido a uma falha do fornecedor) e o que seria uma experiência relativamente breve acabou por se transformar em 3 longas semanas.

Porventura estarão a pensar: 21 dias sem internet em casa não é nada de especial. Não é estar 100% desligado do mundo online. Mas para uma pessoa como eu, habituada a passar muitas horas nas redes sociais e afins todos os dias, foi uma grande mudança. O suficiente para me fazer repensar a minha relação com as redes sociais e a internet e retirar algumas valiosas lições.

Lições que decidi partilhar com vocês.

 

Viver sem internet: o choque é real

Acabada de chegar ao apartamento novo (e depois de todas as mudanças e arrumações), sento-me no sofá (na altura, ainda sem televisão) e dou por mim a pensar: “E agora? O que é que é suposto eu fazer?“.

Ali estava eu pela primeira vez em muitos (muitos!) anos sem internet em casa. A partir desse momento, e durante os próximos dias, tive uma sensação omnipresente que algo de importante faltava. Foi preciso reaprender, ajustar-me a este modo de vida. Não que seja melhor ou pior. Foi simplesmente diferente e exigiu adaptação.

Apercebi-me nesta altura que em tempos de inatividade ela está lá à espera, com milhões de belas e interessantes distrações. E nós, inconscientemente (?) deixamo-nos levar. Enquanto estamos a tomar o pequeno-almoço, no sofá entre os anúncios da televisão ou na cama antes de adormecer, há sempre algum link para carregar, algum vídeo para ver ou alguma publicação para nos fazer rir.

Há sempre algum link para carregar, algum vídeo para ver ou alguma publicação para nos fazer rir.

Sem nos apercebermos, pegar no telemóvel e abrir o Facebook ou qualquer outra rede social é quase automático. Não há momentos de tédio. A internet não deixa.

 

A internet é viciante

Vivemos viciados e dependentes da internet. E só me percebi desta verdade tão óbvia quando estive sem acesso a ela.

Sabemos das notícias do dia a dia no online, gostamos e partilhamos informação, sabemos das tendências, vemos filmes, ouvimos música, rimo-nos com os memes, falamos com os nossos amigos via messenger ou whatsup, vemos os mais próximos pelo skype. Tudo isto – que representa grande parte das nossas vidas hoje em dia – depende do acesso à internet.

Estamos hipnotizados, viciados no ecrã.
É uma ferramenta incrível e revolucionária, mas um hábito terrível. Basta olharmos à nossa volta para nos apercebermos disso.

Os primeiros dias foram os mais difíceis. Pensava no que gostaria de pesquisar, das conversas que queria ter e como estava a precisar de uma distração para o tédio e frustrações do meu dia a dia.

Mais para o final desta experiência – depois dos primeiros 10 dias -, esta vontade de estar online diminuiu progressivamente e comecei a desfrutar mais de todos os momentos, mesmo os mais “chatos”.

 

Estar ligado e entretido não é estar feliz

Depois de algum tempo nesta situação, uma pessoa começa a ficar habituada à ideia de viver desconectada. Mais do que ficar habituada, começa a aceitar esta realidade e ver as vantagens de estar offline.

Ações corriqueiras como ver os emails, as notificações do Facebook ou as fotografias no Instagram começam a ter cada vez menos importância.

Sem as distrações da internet senti-me mais relaxada e no momento. Durante esta fase foi mais fácil definir as minhas prioridades e usar o meu tempo de forma produtiva, em vez de deixar o tempo escapar-me entre mais um vídeo ou link. Procrastinava menos e vivia mais, aproveitando para fazer coisas para as quais nunca arranjava tempo antes.

Com esta experiência veio a constatação que a internet é, de facto, e inquestionavelmente uma ferramenta muito útil, mas também altamente distrativa e na qual facilmente nos podemos perder.

Foi importante para me relembrar do que realmente fomos concebidos para ser: seres humanos e não robots, ligados à rede o mais rapidamente possível, para receber os últimos updates e atualizações irrelevantes.

 

Conclusão

– Viver desconectado numa sociedade como a atual é difícil. Senti que poderia estar a perder uma notícia importante, a esquecer-me de um aniversário ou a falhar com alguém. Hoje em dia, há uma indiscutível pressão para estar disponível 24/7 e à distância de um clique;

– Estar offline pode ser uma experiência muito valiosa: para trás ficam aqueles momentos sem importância que alimentam o ego e que nos mantêm entretidos. Estar desligado – ainda que seja apenas por algumas horas por dia -, tem o potencial para enriquecer a nossa vida. Focamo-nos mais em nós e deixamos de investir o nosso tempo nas notícias dos outros: celebridades, desportistas, políticos, etc.

– Com um pouco de disciplina é possível viver sem aquele vídeo do gato ou aquele artigo do BuzzFeed. E aproveitar este tempo para dar um passeio, convidar os amigos para um café, conhecer um sítio novo, ir ao museu, contemplar a paisagem ou simplesmente estar só, e sem distrações, a aproveitar o momento.

 

Tudo isto significa que prefiro viver sem internet?

Não, de todo. Ela é uma parte indispensável do meu dia a dia. Mas esta experiência fez-me questionar aqueles momentos em que estava num restaurante e pegava no telemóvel para ver as notificações ou quando no metro a fazer scroll pelo feed. Aprendi que a internet é uma ferramenta útil, mas que não precisa de ser usada para nos entreter a cada nanossegundo de tédio.

A propósito do assunto, um vídeo que recomendo:

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