A minha experiência com Tiroidite de Hashimoto

A minha história com esta doença autoimune

2017 foi um ano cheio de conquistas e sucessos a nível profissional, mas foi também o ano em que a minha saúde se começou a degradar. Comecei a sentir que não tinha a mesma energia e motivação do costume. Tinha entrega e resultados no trabalho, mas a partir do momento em que saía do escritório não tinha energia para mais nada. Chegar a casa e deitar-me no sofá era tudo o que queria (e podia) fazer.

Comecei a sentir-me em baixo, primeiro fisica e depois mentalmente. Mas não conseguia suportar a ideia de viver assim.

No final do ano de 2017 numa consulta de rotina com o meu médico de família disse-lhe que me andava a sentir muito cansada, em baixo e que não percebia porquê. Conhecendo o historial da minha família (a minha mãe tinha acabado de retirar a tiroide), ele mandou-me fazer análises para despistar algum problema com a tiroide.

O diagnóstico e a falta de respostas dos médicos

Os resultados vieram e confirmou-se o diagnóstico. Não se tratava apenas de uma desregulação na tiroide resultante da produção insuficiente ou ausente de hormonas tiroideias (hipotiroidismo). Tinha Tiroidite de Hashimoto – uma doença autoimune que leva à destruição da glândula da tiroide por mecanismos imunológicos.

Segundo o médico de família os valores não eram suficientes para começar a tomar medicação, mas tinha de fazer análises regularmente (de 3 em 3 meses) para controlar a situação. Neste primeiro contacto com o diagnóstico foi-me dito que esta doença é “normal” e que hoje em dia muitas pessoas a têm – principalmente mulheres. Para não me preocupar demasiado.

“Vais perder cabelo, vais engordar, vais ficar com a pele mais seca, com as unhas mais fracas… mas não te preocupes. É normal”

Normal?

Achei o conceito de viver com estes sintomas tudo menos normal. Perguntei logo: “O que é que posso fazer para reverter esta situação?”

A resposta foi vaga. O plano era, quando chegasse a altura, começar a tomar medicação e esperar que isso resolvesse (ou melhor, controlasse) o problema.

Foi insuficiente para mim.

Comecei a ler, a pesquisar sobre o assunto. A tentar perceber as possíveis causas, que sintomas batiam certo, o que podia melhorar na minha dieta, no meu estilo de vida. O que podia fazer para reverter esta situação e curar-me de forma natural. Eu não queria esperar por um medicamento para resolver todos os meus problemas.

Se estás a ler isto e a identificar-te com a minha situação e descrição inicial, não hesites em procurar um médico para fazer um diagnóstico.

Não. Viver constantemente cansada não é natural.

Quais são então os sintomas do Hipotiroidismo?

Os principais sintomas são cansaço, obstipação, aumento de peso, secura da pele, unhas quebradiças e de crescimento lento, língua e lábios inchados, dificuldade de concentração ou memorização, pensamento “lento”, dor e rigidez matinal das articulações, intolerância ao frio e queda de cabelo.

Eu não tinha muitos destes sintomas. Nunca tive queda de cabelo, as minhas unhas sempre foram fortes, não tinha problemas de digestão. Mas outros dos sintomas batiam certo, como por exemplo, o cansaço extremo, a pele seca e memória fraca.

Tudo isto para dizer que se partilhas de alguns destes sintomas mas não todos, não descartes a possibilidade de teres um problema na tiroide. No meu caso, eu só tinha alguns deles mas eram igualmente incapacitantes.

A nova alimentação e rotinas: o meu tratamento (de forma natural e holística)

Depois do diagnóstico e de estar insatisfeita com as informações que obtive, fui à procura de outras respostas. Comecei a procurar informação online, fazendo sempre cruzamento de informação – é perigoso tomar como verdade tudo o que encontras online (por isso é importante ver muitas fontes, ler muitos estudos e testemunhos e só aí considerar essa informação).

Depois de muitos sites, vídeos no Youtube e artigos, encontrei um livro que mudou completamente a minha vida e me deu esperança numa solução holística: The Adrenal Thyroid Revolution: A Proven 4-Week Program to Rescue Your Metabolism, Hormones, Mind & Mood, da Dr. Aviva Romm.

Tudo o que estava lá descrito batia certo. A forma como me sentia. Como os médicos convencionais “tratavam” a tiroide e o porquê desta abordagem ser insuficiente. As causas e como resolver o problema a partir da raiz.

Finalmente senti que havia alguém que me compreendia e que me podia ajudar. Mesmo através de um livro.

Mudei tudo, desde a minha alimentação até às minhas rotinas.

Cortei com todos os alimentos e comidas que provocam inflamação no corpo: carnes processadas, açúcar, glúten e laticínios. Passei a focar-me em alimentos que ajudam o meu corpo a curar-se e a encontrar o seu equilíbrio natural. Passei a ajudar o meu corpo, em vez de estar constantemente a colocá-lo sob stress.

Passei a fazer yoga de manhã, logo ao acordar.

A fazer meditação frequentemente.

A por o telemóvel em modo de voo à noite e só o ligar depois do yoga e do pequeno-almoço.

Podem ler um bocadinho mais sobre as práticas que passei a adoptar neste artigo: 5 formas de estar mais presente na tua própria vida

Pouco tempo depois adoptei uma alimentação plant-based. Não foi com base no livro que tomei essa decisão, mas depois de muita pesquisa decidi que era o que fazia sentido para mim.

E aí sim, comecei a sentir-me melhor. Tinha mais energia, estava mais focada, mais motivada.

Até aqui sem medicação nenhuma.

O tratamento da tiroide com medicação

Depois voltei passado 3 meses para novas análises e havia de facto parametros que estavam melhores. Fiquei surpreendida por ver resultados tão rapidamente.

Ainda assim, a inflamação estava lá – como é de resto normal nestes casos – e o médico especialista que comecei a seguir aconselhou-me a começar a tomar medicação – a dose mais baixa, para vermos se havia melhorias.

Continuei com todas as mudanças que tinha feito até ao momento (nova alimentação e novas rotinas) e introduzi a dose mais baixa do Eutorix. Um comprimido, todos os dias, 30 minutos antes do pequeno-almoço.

Nos 3 meses seguintes nada mudou. As análises, depois da introdução da medicação, estavam iguais.

Deixar de tomar a pílula e finalmente ver melhorias nas análises

Foi nessa altura que decidi que ia deixar de tomar a pílula. Desde o momento em que li no livro The Adrenal Thyroid Revolution que havia interferência entre a toma da pílula com o normal funcionamento da tiroide, fiquei com aquilo na minha cabeça, mas acabei sempre por adiar essa decisão.

Há cerca de 2 meses (julho de 2018) deixei finalmente de tomar e nas minhas últimas análises (agosto de 2018) a inflamação tinha reduzido drasticamente. Tanto que o médico ficou muito surpreendido com estes resultados e disse-me que normalmente os pacientes demoram até 3 anos a atingir este tipo de melhorias.

Confesso que para mim também foi surpreendente.

Eu tinha ido ao médico precisamente porque não me andava a sentir bem e estava com queda de cabelo – sintomas que estava a estranhar uma vez que nos últimos meses me tinha andado a sentir melhor. Eventualmente estes sintomas estariam relacionados com desregulações hormonais, por causa de ter parado de tomar a pílula.

Entre o diagnóstico (dezembro de 2017) e conseguir estabilizar a situação (agosto de 2018) passaram 8 meses e, para pessoas que estão na mesma situação e não veem melhorias, tenho os seguintes conselhos:

  • Não fiquem à espera que um médico vos diga o que fazer. Infelizmente temos de ser nós próprios a investigar as melhores soluções. Nenhum dos meus médicos me alertou para a possibilidade da pílula poder interferir negativamente com a minha doença ou o impacto que uma mudança na dieta podia ter na minha saúde.
  • Procurem formas de controlar a vossa situação de forma natural e holística. É importante olhar para esta condição e perceber o problema desde a raíz. Há várias e dependem de pessoa para pessoa. No meu caso, a principal causa era o stress e aprendendo a gerir o stress, aprendi a gerir a minha condição.

Quero com este testemunho dizer que curei para sempre a minha Tiroidite de Hashimoto? Não, de todo.

O que consegui foi arranjar formas de ajudar o meu corpo a encontrar o seu equilíbrio natural. O nosso corpo tem sempre tendência natural para se curar e isso é absolutamente mágico. Basta pensarmos, por exemplo, quando fazemos um corte e o nosso corpo arranja formas de se regenerar naturalmente.

Ao ter cuidado com a nossa alimentação e sermos mais intencionais com as nossas rotinas podemos estar a ajudar o nosso corpo, em vez de o colocar em situações de stress. E é precisamente isso que tendo fazer todos os dias. Ouvir o meu corpo. Estar mais atenta. Dar-lhe o que precisa e respeitar os seus ritmos.

Esta é a minha história com Tiroidite de Hashimoto.

E vocês? Conhecem alguém que sofra desta condição? Se sim, enviem-lhe este artigo. Podem estar a ajudar. Algum comentário ou questão, deixem aqui em baixo. No que conseguir, tentarei ajudar.

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Últimos comentários

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    Tenho a praticamente 10 anos e estou a tratar, tomei remédios que me deixaram piores, agora controlo alimentação e faço exercícios até que ei consiga consultar.
    Não engordei, não sinto a pele seca..porém sinto dores horríveis noite e dia, insônia, me incha o rosto(lábios, olhos) quando como algumas coisas ainda não sei bem porque, minha unhas são fracas, cabelos caem e se quebram, sinto um cansaço durante o dia horrível, não consigo me concentrar,choro muitas vzs e muitas outras coisas.
    Só quem tem entende mesmo.
    Obrigada por partilhar um pouquinho com a gente♡

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    Tenho Hashimoto, diagnosticada há 4 anos, não medicada, por recomendação médica.
    Também não tive os sintomas todos mas, sem dúvida, o cansaço é dos que mais me incomoda. Tenho 34 anos, e há vários anos (muito antes de ser diagnosticada) que luto para parecer ter a idade que realmente tenho. Mas é difícil! A minha avó tem mais energia do que eu.
    Some-se a queda de cabelo, intestino irregular, perdas de sangue entre menstruação e uma irritabilidade que até a mim irrita… entre outros.
    Mas o que me trouxe até ao teu artigo foi uma pesquisa que estou a fazer sobre a doença. Tenho pesquisado muito e vou sempre dar ao mesmo: tenho de alterar a alimentação.
    Sinto-me algo frustrada já que o meu médico endocrinologista é daqueles que me diz exactamente o que o teu te disse “é assim! é normal! não tem cura mas dá para controlar com medicação quando for preciso”.
    Tenho-o questionado e apresentado o resultado de pesquisas, e casos de pessoas que através da alimentação (retirada do glúten) tem conseguido até mesmo reverter o Hashimoto. Diz que não, que não há prova cientifica e o bla bla bla do costume.
    Hoje, precisamente hoje, tenho nova consulta já que alguns dos sintomas estão a piorar. Vou, com certeza, fazer novas análises, e vou aguardar os resultados mas acho que tenho de dar um Basta! Vou pesquisar o livro que aqui colocaste e procurar um médico homeopata/naturopata e procurar cuidar de mim. Obrigada pela partilha da tua experiência.

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    Tenho Hashimoto, diagnosticada há 4 anos, não medicada, por recomendação médica.
    Também não tive os sintomas todos mas, sem dúvida, o cansaço é dos que mais me incomoda. Tenho 34 anos, e há vários anos (muito antes de ser diagnosticada) que luto para parecer ter a idade que realmente tenho. Mas é difícil! A minha avó tem mais energia do que eu.
    Some-se a queda de cabelo, intestino irregular, perdas de sangue entre menstruação e uma irritabilidade que até a mim irrita… entre outros.
    Mas o que me trouxe até ao teu artigo foi uma pesquisa que estou a fazer sobre a doença. Tenho pesquisado muito e vou sempre dar ao mesmo: tenho de alterar a alimentação.
    Sinto-me algo frustrada já que o meu médico endocrinologista é daqueles que me diz exactamente o que o teu te disse “é assim! é normal! não tem cura mas dá para controlar com medicação quando for preciso”.
    Tenho-o questionado e apresentado o resultado de pesquisas, e casos de pessoas que através da alimentação (retirada do glúten) tem conseguido até mesmo reverter o Hashimoto. Diz que não, que não há prova cientifica e o bla bla bla do costume.
    Hoje, precisamente hoje, tenho nova consulta já que alguns dos sintomas estão a piorar. Vou, com certeza, fazer novas análises, e vou aguardar os resultados mas acho que tenho de dar um Basta! Vou pesquisar o livro que aqui colocaste e procurar um médico homeopata/naturopata e procurar cuidar de mim. Obrigada pela partilha da tua experiência.

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      Raquel! Custa-me tanto saber da tua situação, porque sei exactamente o que estás a passar.
      Houve momentos em que cheguei a chorar de tão cansada que andava.

      O acompanhamento dos médicos é absolutamente vital. Eu de 3 em 3 meses faço análises e estou monitorizada.
      Dito isto, é importante fazeres a tua própria pesquisa. Eu li muito, vi muitos testemunhos no Youtube, tentei cruzar informação e depois elaborei um plano. Tudo isto sozinha. O livro que refiro no artigo foi muito muito importante na minha recuperação.

      Acho que a opinião dos médicos é muito importante, mas no final do dia nós somos responsáveis pelo nosso corpo e nossa saúde. Também ouvi esse argumento de não haver base científica. Mas o que é que é mais importante? A prova científica ou eu sentir-me melhor? Eu escolho sentir-me melhor.

      Espero que consigas ultrapassar esta fase. Eu acredito que sim e fico a pensar em ti.
      Alguma questão entra em contacto 🙂
      Um beijinho
      Sara

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    obrigada pela tua partilha. também tenho uma doença autoimune e percebo do que falas e concordo com a tua visão das coisas. beijinhos

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    obrigada pela tua partilha. também tenho uma doença autoimune e percebo do que falas e concordo com a tua visão das coisas. beijinhos

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